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Wat Chedi Luang
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Ruína Monumental

Wat Chedi Luang

A estupa mais alta que o reino de Lanna alguma vez construiu perdeu o terço superior em 1545 e nunca o recuperou. O que resta continua a ser o coração ritual de Chiang Mai. Descubra o que ver no Wat Chedi Luang.

45 min de áudioArquitetura Lanna

O Wat Chedi Luang ocupa o centro geográfico e simbólico da cidade velha de Chiang Mai com uma massa de tijolo avermelhado cortada a direito no topo. O rei Saen Muang Ma iniciou a obra por volta de 1391 como mausoléu real, e o rei Tilokaraj elevou-a a cerca de 82 metros em meados do século XV, tornando-a a estrutura mais alta de todo o Lanna e um dos maiores edifícios do Sudeste Asiático continental do seu tempo.

Por volta de 1545 o terço superior ruiu. As crónicas Lanna culpam um grande sismo; alguns investigadores apontam também para a instabilidade acumulada pela ambiciosa ampliação de Tilokaraj. O chedi ficou reduzido a cerca de 52 metros e assim permanece: o restauro de 1990-1995 financiado pelo Japão e pela UNESCO refez a plataforma, os nagas e os elefantes da base, mas optou por não reconstruir a cúpula. A ferida continua à vista, e essa decisão é ela própria parte do monumento.

O que ver

  • Chedi de 82 metros — A estrutura mais alta do reino de Lanna até ao colapso de 1545
  • Nicho oriental — Albergou o Buda de Esmeralda cerca de 84 anos, de 1468 até por volta de 1552
  • Sao Inthakhin — O pilar da cidade erguido em 1296 e trasladado para aqui pelo rei Kawila em 1800
  • Elefantes de tijolo — Os originais erodidos convivem com os refeitos nos anos noventa
  • Árvore yang na — O gigante do ângulo nordeste a quem a tradição confia a proteção de Chiang Mai

Descubra a história completa

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Chiang Mai conserva dezenas de templos intactos e, no entanto, o que melhor explica a cidade é o que está partido. O Wat Chedi Luang foi o templo real do reino de Lanna, palco de cerimónias de Estado e juramentos de fidelidade nos séculos XV e XVI, e detém hoje a categoria de worawihan no sistema tailandês de classificação de templos reais. O seu chedi foi iniciado por volta de 1391 sob Saen Muang Ma e atingiu a altura máxima — cerca de 82 metros — sob Tilokaraj, que reinou aproximadamente entre 1441 e 1487.

A história secreta do Wat Chedi Luang não é a de uma ruína abandonada mas a de um lugar que continuou a funcionar depois de perder aquilo que o tornava famoso. Perdeu o remate em 1545, perdeu o Buda de Esmeralda por volta de 1552 e ainda assim continua a albergar o pilar de que depende ritualmente a sorte da cidade. Para perceber o que ver no Wat Chedi Luang e como se lê a arquitetura do Wat Chedi Luang há que percorrer com calma as suas quatro faces; o audioguia da EarGuide acompanha esse circuito paragem a paragem.

A primeira vista de uma montanha partida

Wat Chedi Luang

A paragem inicial situa-se no acesso principal, no ponto em que o chedi entra por inteiro no campo de visão. O que primeiro se impõe não é o tamanho mas o corte: o topo termina de repente, sem remate nem pináculo, como se ao edifício tivessem retirado a conclusão. A massa de tijolo restante mede cerca de 52 metros, resultado de subtrair aos 82 originais os cerca de trinta que ruíram.

Desta posição lê-se também o segundo estrato do monumento: o contraste cromático entre o tijolo dos séculos XIV e XV e as zonas intervencionadas entre 1990 e 1995 pelo projeto cofinanciado pelo Japão e pela UNESCO. Esse restauro refez a plataforma escalonada, os nagas das escadarias e parte dos elefantes, mas deixou a cúpula por reconstruir.

A decisão continua em debate. Historiadores de arte e conservadores discutem se os materiais novos respeitam os métodos originais e até que ponto a forma de alguns elementos restituídos é hipotética; para uns, restauro responsável, para outros, reconstrução especulativa. A própria causa do colapso admite matizes: a hipótese dominante do sismo convive com a da fadiga estrutural, e a menção ocasional a danos por canhões birmaneses carece de suporte documental sólido. Como se sustenta cada versão é algo que a narração desmonta no terreno.

O pilar que protege e divide

Sao Inthakin

No extremo norte do recinto, um pequeno santuário guarda o Sao Inthakhin, pilar sagrado da cidade. É uma coluna de madeira envolta em tecido dourado, e a sua história é mais longa do que a do próprio templo: foi erguida em 1296, quando o rei Mangrai fundou Chiang Mai, no Wat Inthakhin, e só chegou aqui em 1800, quando o rei Kawila a mandou transferir. A tradição sustenta que a prosperidade da cidade depende de o pilar se manter de pé.

Todos os anos, por volta do sexto mês lunar — geralmente maio ou junho —, o recinto torna-se durante sete dias o epicentro da festa Inthakhin. Os habitantes de Chiang Mai acorrem em procissão com grinaldas de calêndula e jasmim que depositam diante do pilar, enquanto monges e leigos aspergem água benta sobre a coluna. É um dos ritos cívico-religiosos mais antigos ainda ativos na cidade, e os próprios moradores descrevem-no menos como festa do que como recarga simbólica anual.

No ângulo nordeste cresce ainda um velho yang na, um Dipterocarpus alatus de tronco grosso e raízes superficiais visíveis, assinalado com grinaldas como árvore guardiã. A crença popular, recolhida nos guias do próprio templo, assegura que enquanto a árvore estiver de pé Chiang Mai estará a salvo. Que relação mantêm entre si o pilar e a árvore, e por que motivo ambos se concentram no mesmo recinto, é o fio que o audioguia segue nesta paragem.

O elefante que denuncia a ferida

Chedi do Wat Chedi Luang

A face sul do chedi oferece a lição mais discreta e simultaneamente mais eloquente do conjunto. Nos contrafortes da plataforma de base encaixam-se figuras de elefantes de tijolo. Vistos em fila, revelam de imediato duas mãos distintas: os originais que sobreviveram mostram erosão marcada, com o tijolo interno à vista e proporções ligeiramente irregulares; os refeitos nos anos noventa apresentam acabamento uniforme e contornos limpos.

O mesmo fenómeno repete-se nos nagas das quatro escadarias, onde peças originais fraturadas alternam com reproduções modernas de textura distinta. Percorrer a base do chedi lendo essas costuras equivale a ler um relatório de conservação escrito no próprio monumento, sem tabelas nem painéis.

É provavelmente aqui que o debate técnico deixa de ser abstrato. A diferença entre conservar e reconstruir torna-se palpável ao comparar dois elefantes contíguos separados por cinco séculos de intempérie. Os critérios que guiaram cada intervenção, e o que com eles se perdeu e ganhou, são detalhados na narração diante das figuras.

O nicho que guardou o Buda mais cobiçado

Nicho oriental do Chedi

A face este do chedi conserva um nicho que foi, durante oitenta e quatro anos, o lugar mais importante do budismo tailandês. Entre 1468 e cerca de 1552, este nicho albergou o Phra Kaew Morakot, o Buda de Esmeralda, a imagem sagrada mais venerada da Tailândia. Reside hoje no Palácio Real de Banguecoque, a cerca de setecentos quilómetros.

A sua saída não foi um traslado administrativo. Ocorreu durante um período de decomposição política em que o Lanna perdia poder: o rei Setthathirat, que herdara o trono lanna e preferiu reinar em Luang Prabang, levou consigo a imagem mais sagrada do reino. Para os habitantes da Chiang Mai de então, a partida do Buda de Esmeralda equivaleu ao abandono da cidade pelos seus próprios reis, e o nicho ficou vazio durante séculos.

O que hoje se vê no nicho é uma réplica em jaspe verde doada pelo rei Bhumibol Adulyadej em 1995 para assinalar o sexto centenário do templo. A poucos metros, o programa Monk Chats — lançado por volta de 1996 e ligado à Universidade Budista Mahamakut, campus de Lanna — permite conversar em inglês com os monges residentes, um dos primeiros formatos deste tipo na Tailândia. A coincidência entre um vazio de quatro séculos e uma conversa aberta ao estrangeiro resume bastante bem o que este templo faz com a sua própria perda, e é aí que o percurso sonoro fecha o círculo.

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