Património da Unesco
Audioguia Terraços de Arroz de Tegallalang (Sawah Terasering Tegallalang)
A escadaria verde mais famosa de Bali não é um cenário: é uma máquina de repartir água que camponeses, templos e oferendas mantêm em marcha há cerca de mil anos.
- 60 min de áudio
- Paisagem cultural do subak
Tegallalang é um distrito da regência de Gianyar, a cerca de 10 quilómetros a norte de Ubud, conhecido pelos seus arrozais em socalcos. Esses socalcos cultivam-se com o subak, o sistema cooperativo de rega de Bali, nascido por volta do século IX e citado por escrito pela primeira vez por volta do século XI com a palavra kasuwakara. Em 2012 a Unesco inscreveu a paisagem cultural do subak na Lista do Património Mundial.
Por trás do postal há uma rede de fé: os templos da água do subak formam uma hierarquia que culmina em Pura Ulun Danu Batur, junto ao lago Batur, considerado a origem de todas as nascentes e rios da ilha. Aqui o arroz é tido por uma dádiva dos deuses, e os campos são abençoados antes de lavrados.
O que ver
- Escadaria de arrozais — socalcos curvos que trepam pela encosta oeste do vale
- Canais de rega — valas de terra e pedra com comportas de madeira que repartem a água pelas parcelas
- Santuários de campo — pequenos altares de bambu ou pedra com oferendas diárias nos cantos das parcelas
- Subak — sistema cooperativo de rega nascido por volta do século IX e Património Mundial desde 2012
- Coqueiros — silhuetas nas cristas que desenham o postal clássico de Bali
A cerca de 10 quilómetros a norte de Ubud, no distrito de Tegallalang, um vale inteiro escalona-se em arrozais: os Terraços de Arroz de Tegallalang, em indonésio Sawah Terasering Tegallalang, são os socalcos mais famosos de Bali e provavelmente o vale mais fotografado da ilha. Pertencem à regência de Gianyar, a que reúne Ubud, Tegallalang e Tampaksiring e a que chamam Gumi Seni, a Terra das Artes.
A história dos Terraços de Arroz de Tegallalang é a do subak, o sistema cooperativo com que se gere a água dos arrozais balineses. Desenvolveu-se por volta do século IX, e a sua primeira menção escrita, com a palavra kasuwakara, data de cerca do século XI. Cada subak agrupa entre cerca de 50 e 400 camponeses que partilham a água de uma mesma fonte, e em 2019 a ilha contava com cerca de 1559 subaks sobre quase 20 000 hectares. A 6 de julho de 2012 a Unesco inscreveu na Lista do Património Mundial a «Paisagem cultural da província de Bali: o sistema subak como manifestação da filosofia Tri Hita Karana», com 19 519,9 hectares protegidos.
O que ver nos Terraços de Arroz de Tegallalang reparte-se por três paragens: o miradouro junto à estrada, o fundo do vale entre canais e socalcos, e o miradouro norte sobre o topo dos terraços. A sua arquitetura não é de pedra esculpida mas de terra e água: degraus curvos de arrozal, valas com comportas de madeira, pequenos santuários nos cantos das parcelas e palmeiras nas cristas. Percorrida com o audioguia, a paisagem deixa de ser um fundo de fotografia e lê-se como aquilo que é: uma obra coletiva.
A norte, o sistema subak e a água sagrada continuam no Templo Tirta Empul, junto à nascente de Tampaksiring. Mais perto de Ubud, o Passeio da Crista de Campuhan oferece outra paisagem de arrozais e colinas.
O postal que esconde um trabalho de engenharia
Miradouro da estrada
Resumo desta parada
Do miradouro junto à estrada de Tegallalang, a vista abre-se para leste sobre o vale. Os arrozais descem em degraus curvos pela encosta oeste, e nas cristas os coqueiros recortam a silhueta do postal clássico de Bali.
O que o postal não conta é que essa paisagem foi modelada por camponeses. Tegallalang faz parte da regência de Gianyar, a Gumi Seni ou Terra das Artes, e os seus socalcos funcionam graças ao subak: cooperativas de entre cerca de 50 e 400 agricultores que repartem a água de uma só fonte. Como se organiza essa repartição é o que a narração desvenda com o vale à frente.
Em baixo, onde a água se reparte
Nos arrozais
Resumo desta parada
No fundo do vale, sobre os taipais que separam os terraços junto ao ribeiro, o subak vê-se de perto. Pequenos canais de terra e pedra, com comportas de madeira, dividem a água pelas parcelas, e nos cantos dos campos surgem santuários de bambu ou de pedra com as suas oferendas diárias.
O sistema desenvolveu-se por volta do século IX e o seu primeiro vestígio escrito, a palavra kasuwakara, data de cerca do século XI. Mas o subak não é só hidráulica: faz parte da cultura dos templos. Os templos da água ordenam-se numa hierarquia que culmina em Pura Ulun Danu Batur, junto ao lago Batur, tido como a origem de todas as nascentes e rios da ilha. O arroz é considerado uma dádiva dos deuses, e a gestão da água segue o Tri Hita Karana, as três harmonias: parahyangan com o divino, pawongan entre as pessoas e palemahan com a natureza.
É uma tradição documentada que cada subak tem o seu próprio templo e o seu calendário de ritos: a água é abençoada antes da sementeira, os santuários do campo recebem oferendas e a colheita é levada ao templo em sinal de gratidão. Aqui os campos rezam-se antes de lavrados, e o audioguia conta esse ciclo no mesmo terreno onde ele acontece.
O extremo tranquilo e o veredicto do mundo
Miradouro superior
Resumo desta parada
No miradouro norte, por cima do topo dos terraços, o vale contempla-se inteiro. Daqui percebe-se a escala daquilo que o subak sustenta: em 2019 Bali tinha cerca de 1559 subaks que cobriam quase 20 000 hectares.
A 6 de julho de 2012 a Unesco inscreveu na Lista do Património Mundial a paisagem cultural do sistema subak como manifestação da filosofia Tri Hita Karana, com 19 519,9 hectares. O reconhecimento não premeia apenas uns socalcos bonitos, mas uma rede de templos da água encabeçada por Pura Ulun Danu Batur e uma forma de entender o arroz como uma dádiva dos deuses. O que o visitante deve a quem trabalha estes campos é a pergunta com que a narração encerra o percurso.