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Pagode Tran Quoc

Foto: Richard Mortel from Riyadh, Saudi Arabia, CC BY 2.0

Templo budista

Audioguia Pagode Tran Quoc (Chùa Trấn Quốc)

Hanói · 4 paradas · 30 min

O pagode budista mais antigo de Hanói nasceu na margem do rio Vermelho e, em 1615, mudou-se inteiro para um ilhéu do Lago do Oeste para não se afogar. Ali esperam-no hoje uma estupa vermelha de onze andares e uma figueira-de-bodhi vinda da Índia.

  • 30 min de áudio
  • Templo budista do século VI

Fundado em meados do século VI, no reinado de Lý Nam Đế, com o nome de Khai Quốc, «Fundação do Reino», o Pagode Tran Quoc foi o centro budista da capital Thăng Long durante as dinastias Lý e Trần. Em 1615, fustigada pelas cheias do rio Vermelho, mudou-se para o ilhéu Kim Ngư, o «Peixe Dourado», e foi erguida sobre os alicerces de antigos palácios reais. O seu nome atual, Trấn Quốc, «Proteção do Reino», recebeu-o sob Lê Hy Tông.

Poucos templos condensam tantas camadas em tão pouco chão: sob as lajes do pátio repousam os alicerces de um palácio Lý e de um salão Trần; por cima, uma estupa de 1998 ergue-se em espelho com uma figueira-de-bodhi nascida de uma estaca da árvore de Bodh Gaya, a mesma sob a qual Buda alcançou a iluminação. E o caminho que aqui leva começou por ser um aterro de pescadores.

O que ver

  • Estupa Lục Độ Đài Sen — 11 andares, 15 metros e 6 nichos por andar com Budas Amitabha
  • Figueira-de-bodhi de 1959 — estaca da árvore de Bodh Gaya, oferta do presidente indiano Rajendra Prasad
  • Mudança de 1615 — do rio Vermelho para um ilhéu do Lago do Oeste, sobre alicerces de palácios Lý e Trần
  • Buda Shakyamuni a entrar no nirvana — estátua de madeira dourada no salão principal
  • 14 estelas de pedra — a memória escrita de ruínas, restauros e senhores Trịnh

A história do Pagode Tran Quoc começa longe do lugar onde hoje se ergue. Em meados do século VI, durante o reinado de Lý Nam Đế, foi fundada na aldeia de Y Hoa, junto ao rio Vermelho e fora do dique de Yên Phụ, com o nome de Khai Quốc. As datas desse reinado variam conforme as fontes, pelo que os célebres «1.500 anos» do pagode são uma cifra aproximada, e ainda assim é considerado o templo budista mais antigo de Hanói. Sob as dinastias Lý e Trần foi o coração budista da capital Thăng Long, e em 1615, quando o rio começou a comer a margem, o pagode inteiro foi transferido para o ilhéu Kim Ngư do Lago do Oeste, onde continua ligado à terra firme por uma calçada.

Desde então mudou de nome ao ritmo da história do reino: An Quốc em 1440, Trấn Quốc sob Lê Hy Tông e Trấn Bắc, «Guardião do Norte», no século XIX, após a visita de um imperador Nguyễn cuja identidade e donativos não coincidem em todas as fontes. O povo, no entanto, nunca deixou de lhe chamar Trấn Quốc. A história do Pagode Tran Quoc, a sua arquitetura e os seus costumes vivos entendem-se melhor no próprio ilhéu, com a narração do audioguia a acompanhar cada passo do percurso.

Já em terra firme, a pouco mais de um quilómetro a sul, o Mausoléu de Ho Chi Minh preside à praça Ba Dinh, e o Templo da Literatura, de 1070, completa o mapa dos templos antigos de Hanói.

Uma calçada de pescadores até à Porta dos Meios Hábeis

Chùa Trấn Quốc

Resumo desta parada

O acesso ao pagode já conta uma história. A calçada parte da avenida-dique Thanh Niên, que separa o Lago do Oeste do lago Trúc Bạch, e leva até ao ilhéu para onde o templo se mudou em 1615, fugindo ao rio Vermelho. Segundo uma tradição documentada, esse caminho nasceu por volta de 1620 como um pequeno aterro que os vizinhos de Yên Hoa e Yên Quang levantaram para fechar um canto do lago e pescar com mais facilidade.

Um senhor Trịnh mandou alargá-lo e batizou-o Cố Ngự, «manter-se firme»; uma pronúncia errada transformou-o com o tempo em Cổ Ngư, «peixe antigo». Em 1958-1959, jovens e estudantes de Hanói trabalharam nele para o elevar e alargar, e a cidade rebatizou-o como via Thanh Niên, «Juventude», por proposta de Hồ Chí Minh.

No fim do caminho espera o portal com três carateres sobre o vão: «Phương Tiện môn», a Porta dos Meios Hábeis. De ambos os lados, um dístico em escrita nôm contrapõe o estrépito de carros e cavalos do mundo à porta zen aberta a rios e montanhas. O sentido completo desse limiar desvenda-se ao ouvir a narração diante da própria porta.

A torre vermelha, a figueira-de-bodhi indiana e os palácios enterrados

Bảo tháp Lục Độ Đài Sen

Resumo desta parada

O pátio é o lugar onde melhor se leem as camadas do Pagode Tran Quoc. Ao mudar-se em 1615, já dentro do dique de Yên Phụ, o templo foi erguido sobre os alicerces do palácio Thúy Hoa da dinastia Lý e do salão Hàn Nguyên da dinastia Trần: sob os pés do visitante repousam vestígios da corte de duas dinastias.

Por cima ergue-se a estupa Lục Độ Đài Sen, uma torre vermelha de 1998 com 11 andares e 15 metros de altura. Cada andar abre 6 nichos em arco com uma estátua de Buda Amitabha em pedra preciosa, e um lótus de nove níveis remata-a.

Diante dela, em simetria procurada, cresce a figueira-de-bodhi que o presidente indiano Rajendra Prasad ofereceu na sua visita de 24 de março de 1959, nascida de uma estaca da árvore de Bodh Gaya. As fontes não coincidem totalmente sobre se foi uma oferta pessoal, um presente do governo indiano ou uma homenagem a Hồ Chí Minh, e essa ambiguidade faz parte da sua história.

O Buda dourado e o incenso que nunca se queima em quatro

Salão principal Tam Bảo

Resumo desta parada

O salão principal, o Tam Bảo, une pavilhão frontal, sala do incenso e santuário superior numa planta com a forma do carácter 工. Foi um templo de corte: durante o reinado de Lý Nhân Tông, a rainha-mãe Ỷ Lan veio aqui várias vezes conversar com monges eminentes.

Entre os tesouros do interior destaca-se uma estátua de Buda Shakyamuni a entrar no nirvana, de madeira dourada, acompanhada por estelas de pedra, 3 sinos de bronze e quase uma centena de dísticos e tabuletas horizontais. Os nomes do pagode, de An Quốc a Trấn Quốc, seguiram a sorte do reino, e estas paredes guardam boa parte dessa memória.

Diante dos altares, o costume continua vivo: segundo a crença popular, o incenso queima-se sempre em número ímpar, porque os pares trazem má sorte e o quatro soa em sino-vietnamita como a palavra «morte». As oferendas deixam-se sem carne, em respeito pelos monges vegetarianos que vivem no pagode. O porquê de muitos destes gestos ganha sentido com a narração diante do altar.

Catorze estelas e um campanário para despertar

Jardim de estupas funerárias

Resumo desta parada

A parte traseira do recinto reúne a memória escrita do pagode. Em 1639 o senhor Trịnh Tráng mandou repará-lo, plantar lótus à sua volta e convertê-lo em residência de recreio da sua casa; nesse ano o laureado Nguyễn Xuân Chính redigiu a estela que o recorda. No final do século XVIII o templo ficou em ruínas, e a estela de 1815, com texto do doutor Phạm Quý Thích, regista o restauro de 1813 a 1815. No total, o recinto conserva 14 estelas.

Atrás do pagode erguem-se ainda várias estupas funerárias de monges das eras Vĩnh Hựu e Cảnh Hưng, do século XVIII, junto ao campanário de três vãos e beiral duplo. Uma estela desse mesmo século descreve a leveza de quem contempla o lago e o sino que chama para despertar quem continua preso ao sono do mundo. O que essa frase significa junto à água compreende-se melhor ao ouvi-la ali, com o sino a poucos passos.

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